domingo, 10 de fevereiro de 2008

As surpresas de Sábado à noite

Muito que fazer: roupa para lavar, roupa para secar, preguiça, 5 minutos livres para um sorvo de ar puro, roupa para passar a ferro, amigos para ver, conversas para pôr em dia, compras por fazer, tempo perdido para recuperar, pais a quem dizer que estou viva e, com um pouco de sorte, com quem conversar três segundos e meio porque têm de voltar ao trabalho, internet, blogs, trabalhos, traduções, mensagens, emails, mais 5 minutos para um novo sorvo de ar puro, comer, tomar duche, tomar café, estar com o irmão, voltar, dormir, acordar, fazer saco, arrumar tralhas e iraigou... Isto não é nada, comparado com o que faz a santa da minha mãe, a quem, por vezes, não dou o devido valor.

Já é da praxe estar no PC aos Sábados à noite, quando os meus pais chegam a casa do Cantinho (por volta das 23h e qualquer coisa). A essa hora continuo com o rabo colado à cadeira e os olhos presos no ecrã que não traz nada de novo a não ser um agravamento da miopia, oiço as portas a bater no andar de baixo, o meu pai que lá resmunga qualquer coisa e a minha mãe que lá responde na sua paciência (in)finita, novo bater de portas, a minha mãe sai para fazer as 1001 coisas que tem por fazer antes de ir dormir, silêncio... algum tempo depois outro bater de porta, "Filiiiiiiiipa, tens uma surpresa cá em baixo", o aroma a canela entra-me pelas narinas e a minha infindável barriga dá sinais de si, "já vou", desço as escadas como se fosse uma criança a correr para abrir as prendas de Natal, hmmm... desta vez foi arroz doce, quentinho, como eu gosto, como dois pratos, olho para o terceiro, é melhor não, "'tá bem bom mãe", beijo na testa, lá vou eu novamente para o andar de cima agravar a minha miopia...


Só muito recentemente reparei que isto é já ritual todos os Sábados, e que esta 6ª feira, pensando que era Sábado, senti falta disso, e pensei que se calhar devia dizer mais vezes à minha mãe obrigada, gosto muito de ti, vou ter saudades tuas, admiro-te muito, mas não digo, desculpa, mãe!

A filha desnaturada,
Filipa Gonçalves

2 comentários:

JoHnNy disse...

acho que alguém devia mostrar a tua querida mãe este blog, e especialmente este post.. nem que fosse impresso em papel ;) *

Fia Grande disse...

Ora bem minha cara coleguinha, a mãezinha da semana está aqui para comentar o teu post. Primeiro de tudo entristeceu-me um pouco, tenho que admitir, mas também tenho-te a dizer que é um passo muito grande teres consciência daquilo que a tua mãe faz por ti e pela tua família e aquilo que ela significa para ti. Por vezes pensamos que não precisamos de dizer aos nossos aquilo que sentimos por eles porque nunca deixarão de ser nosso, mas acho que é um pensamento errado (atenção que por vezes também consigo ser desnaturada). Assim como é preciso "lutar" ou fazermos coisa para fazermos os nossos amigos, namorados e outras pessoas de quem gostamos felizes, os nossos papas e manos também não deveriam de ficar de fora. A verdade é que eles são a razão da nossa existência, e eu sei aquilo que taz a pensar (tenho uma relação diferente com os meus), mas se caires são eles que estarão lá para te levantar, enquanto esperas que x ou y dê sinal de vida. Ora bem eu poderia estar aqui a falar horas a fio sobre isto, mas nunca é tarde de mais para mudarmos certas coisas, e sinceramente não deixes de dizer à tua mãe ou mesmo ao teu pai o quanto gostas deles e que agradeces todas as pequenas ou grandes coisas que fazem por ti (como por exemplo o arrozinho doce). Num deixes de fazer coisas que um dia te possas arrepender.
Lobe iu!
Beijinhos